domingo, 28 de setembro de 2014

O dia em que fui ao Chinês Clandestino

Bem, esta poderia ser uma das muitas histórias sobre idas a restaurantes chineses que acabam mal, poderia ser uma das muitas vezes que gozamos com o facto de estarmos a comer Rato, Cobra, Gato, fazendo empatia a estarmos a comer algo que não sabemos bem o que é, naquele restaurante em que não há um cão na rua...

Não obstante esta não é uma história dessas, é algo ainda mais grave... Meus senhores, apresento-vos:

O CHINÊS CLANDESTINO 

Antes de começar esta aventura, espero que estejam preparados para conhecer um mundo em Portugal à parte, onde se joga críquete como se fosse futebol e onde a língua oficial é uma mistura entre o Indiano e o Mandarim. 

Esse mundo é, nada mais nada menos, que o Martim Moniz. Para quem não conhece o lugar pode-se dizer que é uma pequena zona de Lisboa, perto da Mouraria (local onde já vos vou levar), que tem uma grande praça (chamada Praça Martim Moniz) onde existe na proximidade duas superfícies comerciais (o centro comercial do Martim Moniz de um lado e o da Mouraria do outro). Nesta praça é comum ver-se jovens a jogar críquete ou putos chineses a andarem de skate. Ou seja, para chegarmos à minha história é necessário entrarmos neste universo alternativo.


É curioso perceber que, Martim Moniz, tipo que participou na conquista de Lisboa aos Mouros em 1147, é agora o nome de uma das zonas Lisboetas com menos percentagem de Portugueses do planeta (como é curioso estas coisas do destino).

Mas eu não estava em Lisboa?
Continuando a minha atribulada viagem à ChinaTown portuguesa, foi preciso meter-me por entre as ruas da Mouraria para alcançar o local onde eu iria ter a minha refeição. Quando cheguei ao local onde iria tomar a minha refeição, deparei-me com um edifício num estado duvidoso. Subi umas estacadas que pareciam saídas da segunda guerra mundial e deparei-me com uma tabuleta que não me preparou em nada para o que viria a acontecer "Apoio à emigração".

Ao entrar fiquei surpreendido, ao ver um local onde o estilo caseiro/pobre/refeitório escolar/prisão de Pandas bebes se misturava com um cheiro nauseabundo e um som que parecia um papa formigas a implorar para não ir à faca. Nesse momento, comecei a pensar se não teria sido boa ideia ter comido um Kebab feito por um indiano, que claramente não se lavava há 3 dias em vez de ter aterrado naquele local esquecido por Deus, que até o Gordon Ramsey não iria ter palavras para descrever.


Até a Amalia Rodrigues canta agora o Ai Mouraria em Mandarim.
Ao fim de pouquíssimo tempo, surgiu a ementa, onde constavam pratos magníficos como:
  • Carne Com Sabor de Peixe - Se eu quero comer alguma coisa com sabor a peixe, porque raio não como PEIXE?
  • Sopa Ácido picante - Por alma de quem é que alguém vai ingerir uma Sopa ÁCIDA. MEU!!!! SOPA ÁCIDA? Tipo... MAS QUE RAIO!
  • Pá de Jardim Picante - Pá de Jardim? e ainda por cima picante? meu, quem é que quer comer uma pá? Há uns que metem a pá no cú... mas para alem de comer com a pá ainda ter que pagar por ela?
  • Língua de Pato com sal e pimenta - Que iguaria? quem é que nunca provou uma LINGUA DE PATO... Meu... que raio é isto.
  • Carne de galinhO com camarão - O galinho é primo da galinha, mas é aquele primo que nós não convidamos para ir lá a casa jantar.
  • Carne de galinha com três cores - porque uma galinha de uma cor não é suficiente...
  • Entre outros...
Com uma ementa tão variada e tão convidativa, os problemas que muitos daqueles que não gostam de ir a restaurantes chineses estão resolvidos! Acabaram-se as míticas conversas do tipo:

Idalecio Ramires - Olhe poderia dizer-me o que leva o Pato à Pequim?
Ming Ching - Alloz e Cão!
Idalecio Ramires - E o Porco Agridoce?
Ming Ching - Alloz e Cão!
Idalecio Ramires - Hmmm não se se gosto muito de alloz e cão... e o Arroz e cão leva o que?
Ming Ching - Massa de Camallão!
Meus caros, com esta ementa, uma pessoa nem tem hipótese de perguntar!!! Já viram o medo que seria perguntar o que raio leva a Sopa Ácida? (Sopa Ácida? Veneno pala os latos e selingas).
O que agora transporta-nos para uma realidade nova no mundo da culinária Asiática.

Afinal, existem duas pirâmides alimentares na cozinha oriental. A primeira, uma que nem é assim tão má, constituída por uma mistura entre arroz e cão. E uma segunda que é constituída por tudo aquilo que temos na nossa despensa que não é comestível (tipo papel higiénico + spray para o cabelo).

A pirâmide dos alimentos que costumamos encontrar nos centros comerciais.
No fim da minha refeição, o meu estômago já não era o mesmo. Para além de ter encontrado um arroz chow chow castanho, encontrei também um local onde nunca mais iria voltar a pôr os pés e uma promessa de como nunca iria à China. Aquele lugar proíbido por Deus fez com que eu nunca mais tivesse entrada directa no céu, pois a probabilidade de ter ingerido uma espécie animal em vias de extinção era de quase 300%, isto, senão tiver mesmo sido levado a cometer um dos tabus mundiais, o do canibalismo (sim porque vocês nunca viram um funeral de um chinês, pois não?).

Resta dizer que, após fugir daquele sítio (como um autêntico Rambo a fugir de um campo de concentração), fui parar a um lugar simpático onde também não se falava português e pedi um Kebab para matar a fome... O Kebab até não estava mau, é pena é eles terem-me trocado o pedido...


Moral da História - Nunca mais vou jantar ao Martim Moniz...

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